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Declaração Política - Assembleia Municipal da Nazaré, 23 Fevereiro 2018

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Criado em segunda, 26 fevereiro 2018, 12:33
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 A CDU elege o tema da Cultura como “trave mestra” que suporta a declaração política que hoje apresenta a esta assembleia. Nesse sentido, queremos aqui destacar o importante papel que poderá ter a reactivação do Cine-Teatro da Nazaré, no futuro do panorama cultural do concelho.
 
Valorizamos esta opção política, porque é exactamente disso que se trata – uma opção deliberada de canalizar verbas públicas para criar condições “mínimas” para a fruição da Cultura – base elementar e direito constitucional de cada cidadão português.
Aos seus responsáveis queremos reconhecer o esforço e a tentativa de criar dinâmicas culturais continuadas no tempo, que devem primar pela qualidade. A reactivação daquele espaço é, e sempre foi, uma “exigência” inscrita nos programas eleitorais da CDU para o concelho da Nazaré nos últimos actos eleitorais autárquicos.
 
No entanto, criadas que estão as condições de partida, iniciado que foi o caminho, devemos almejar a construção de um plano cultural ambicioso, com objectivos mensuráveis de curto, médio e longo prazo e os respectivos planos operacionais para os alcançar. Um plano que deve ser construído colectivamente, ouvindo o que as forças políticas aqui representadas têm para dizer nesta matéria e contando com a voz, criatividade, experiência e capacidade de resistência das estruturas associativas que se têm dedicado à cultura neste concelho. Logo, impõe-se, e recomenda desde já a CDU, que este executivo crie de imediato, a exemplo daquilo que já existe para o Desporto, o Conselho Municipal para a Cultura.
 
Se esse for o caminho, por certo que daremos em conjunto um contributo fundamental para que uma verdadeira revolução cultural, que urge fazer, aconteça no concelho da Nazaré. Criando redes de espaços culturais, formais e informais, descentralizando as iniciativas culturais por todo o concelho e reactivando o movimento associativo cultural que perde espaço, dimensão e capacidade de trabalho com a crescente municipalização de “tudo”.
 
Será, portanto, indispensável para trilhar este caminho, reforçar as verbas para a Cultura, aproximando-a daquilo que é destinado à área desportiva. Hoje, temos um fosso enorme, e inaceitável, entre aquilo que são as opções políticas municipais para o desenvolvimento do Desporto em detrimento da Cultura. Por isso, a CDU recomenda que se criem as condições necessárias para destinar 1% do orçamento municipal para a Cultura, o mais brevemente possível.
 
Se nada se alterar, tememos pelo futuro do concelho e pelo futuro da democracia local. Pois estaremos a preparar uma sociedade esvaziada de profundidade de análise, alienada por não ser confrontada com a pluralidade de abordagens e interpretações sobre a mesma matéria e por não se questionar sobre o que se coloca à própria condição humana e à sua circunstância.
 
Estaremos a preparar uma sociedade acrítica e a nivelar por baixo aqueles que a constituem agora e que a constituirão amanhã. Uma sociedade que seguirá cegamente líderes medíocres, populistas, com tácticas falso-moralistas, com estratégias de vitimização e discursos incendiários. Líderes que não precisarão de escrever uma linha, abraçar uma causa ou entregar a vida à “coisa” pública.
 
Basta escolher o momento certo, a estrutura ideal e um orçamento robusto! E o futuro é hoje, aqui e agora!
Uma sociedade esvaziada de Cultura, assume vertigens de desenvolvimento que não existem de facto se esmiuçarmos e dissecarmos aquilo que não passa de propaganda. Uma sociedade subtraída de Cultura é uma sociedade que aliena os seus direitos e olvida os seus mais elementares deveres inerentes a quem vive em interdependências constantes.
 
Uma sociedade sem Educação não se estrutura do ponto de vista do conhecimento. No entanto, Educação sem Cultura, que lhe confere espírito crítico. É uma sociedade à mercê da voracidade do populismo e do capitalismo selvagem. Aliás, só servirá para replicar e tornar natural o modelo de aceitação da exploração por parte dos explorados.
 
Tal como referia o grande pedagogo Paulo Freire: “Não basta saber ler que: 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual o papel que Eva ocupa no seu contexto social, quem mais trabalha para produzir a uva e quem é que lucra com esse trabalho.”
Logo, apostemos na Cultura se queremos salvar este concelho da mediocridade e da barbárie geral! Podem contar com a CDU para erigir esse edifício!
 
Nazaré, 23 de Fevereiro de 2018
O Grupo Municipal da CDU na Assembleia Municipal da Nazaré
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