domingo, 05 abril 2020

Acções e Iniciativas

92º aniversário da Revolução de Outubro

jantar_revoout_14nov2009A Organização Regional de Leiria do PCP comemorou no passado dia 14  de Novembro, no Centro de Trabalho da Marinha Grande os 92 anos da Revolução de Outubro, num jantar com 150 militantes e amigos  do partido. Esta Iniciativa contou ainda com a passagem de um filme comemorativo desse acto jantar_marinha_grande_vhistórico e dos 96 anos do nascimento do camarada Alvaro Cunhal. Lembrou-se também outros camaradas que desempenharam um papel importante na construção do grande partido que somos. Mais fotos do Jantar jantar_marinha_grande    jantar_marinha_grande_iv   jantar_marinha_grande_iii                 jantar_marinha_grande_i

 

 

 Intervenção do camarada João Dias Coelho, membro da Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista Português

 

Hoje , dia 14, assim como no dia 7 de Novembro e nos próximos dias, os comunistas, os homens e as mulheres progressistas, amantes da paz e lutadores pela justiça social e um mundo melhor, comemoram em todo o mundo o maior feito da história contemporânea – a Revolução Socialista de Outubro na Rússia czarista e feudal.

 

A classe operária, os camponeses, os soldados e marinheiros ousaram, na expressão de Marx a propósito da Comuna de Paris, «conquistar o céu», isto é construir uma sociedade sem explorados nem exploradores.

 

A epopeia iniciada em 1917, e que havia de durar quase 74 anos, contribuiu para a paz e o equilíbrio no mundo, tendo permitido níveis de desenvolvimento e bem-estar para o povo nunca vistos antes.

 

A obra concreta no plano do desenvolvimento industrial, da electrificação, dos serviços de saúde e educação para todo o povo bem como a instituição do direito a férias e ao subsídio de férias, permitiu que da Rússia imperial e feudal nascesse uma sociedade onde a classe produtora tomasse conta dos seus destinos.

 

Num quadro de intenso confronto entre as classes antagónicas (o capital e o trabalho), de agressões e cerco imperialista, como é natural o caminho percorrido no processo de construção do socialismo não foi isento de erros e deformações, mas foi fundamental não só para a derrota do nazi-fascismo durante a II Guerra Mundial, como constitui um exemplo concreto de que sim é possível a construção pelos trabalhadores e o seu partido de classe de uma sociedade nova – o Socialismo.

 

Num momento em que as forças capitalistas e imperialistas exaltam o papel dos “aliados” na 2ª guerra mundial, procurando fazer crer, como aconteceu com as comemorações do desembarque na Normandia em que Obama considera este facto como o facto que alterou o curso da guerra.

 

Importa dizer que ao fazê-lo Obama e os seus amigos europeus, procuram anular da história, a morte de 20 milhões de soviéticos e a maior batalha já mais verificada entre divisões de tanques alemãs e russas em Kursk e a batalha de Stalinegrado que com verdade, fizeram essas sim alterar o rumo da guerra e da história em favor da paz.

 

92 anos passados importa lembrar o papel de Lénine e dos seus companheiros que, à frente do Partido Bolchevique e com o apoio do povo, optaram pelo caminho mais difícil mas mais seguro para a construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem, sofrendo por isso represálias e pressões do mundo capitalista que via e vê na força de transformação do povo e do seu partido de vanguarda uma força a aniquilar.

 

A história do movimento operário e comunista e o processo de construção do socialismo estão cheios de grandes actos de heroísmo e de coragem mas também de desvios, com violação de princípios fundamentais do socialismo, e de traições, cuja dimensão assumiram na URSS e nos outros países socialistas do Leste da Europa contornos com consequências desastrosas não só para os povos desses países como para os povos do mundo inteiro.

 

Tendo sido pioneiro na abordagem das causas e consequências das derrotas do socialismo na União Soviética e no leste da Europa, importa prosseguir como assinalou o XVIII Congresso do PCP o seu estudo de forma a tirarmos experiências e os ensinamentos que comporte, afim de prosseguirmos a luta com redobrada confiança.

 

E importa sublinhar que o que foi derrotado não foram os ideais e o projecto comunistas mas um modelo que se afastou e entrou mesmo em contradição com os ideais de construção da sociedade socialista.

18 anos depois da derrota da primeira tentativa vitoriosa de construção do socialismo, a realidade demonstra os verdadeiros intentos daqueles que rejubilaram com tal facto e sobretudo as consequências para os povos de todo o mundo – mais injustiça, destruição dos serviços públicos, na saúde e educação, desemprego, precariedade, miséria e fome, guerra e pilhagem dos bens naturais.

 

Este é o resultado do desequilíbrio de forças entre o capital e o trabalho. Com a destruição da URRS o mundo ficou mais vulnerável, o capital sentiu melhores condições para aumentar a exploração.

 

Mas a força das conquistas, dos feitos e avanços civilizacionais que o socialismo permitiu ficou na memória dos povos, dos combatentes da liberdade e do futuro socialista.

 

A realidade contraria o comemorativismo e triunfalismo que o capitalismo quer impor à humanidade a propósito dos 20 anos da “queda do muro de Berlim” porque a verdade é que o mundo está mais injusto, mais desigual, mais perigoso.

 

Intensifica-se a opressão e exploração dos povos e dos trabalhadores – a começar por muitos dos ex países socialistas –, com a regressão de direitos laborais, a privatização de funções do estado, com a ofensiva contra direitos e liberdades historicamente alcançadas.

 

A pobreza, a emigração em massa e a fome, marcam a vida de milhões de seres humanos enquanto uma pequena minoria acumula fortunas colossais.

 

Olhemos para o nosso país onde a política de direita impera há mais de 30 anos, onde o processo de integração capitalista na Europa (que como escreveu Lenine na sua obra “Sob a Bandeira dos Estados Unidos da Europa em 1915) visava e visa a unificação e consolidação do capitalismo processo que conhece hoje novos desenvolvimentos com a ratificação por parte dos Estados burgueses da Europa de hoje, do chamado tratado de Lisboa o que constituí um novo e qualitativo salto na ofensiva imperialista.

 

Tal facto não é ele próprio separável do desaparecimento do sistema socialista mundial, nem do processo de recuperação capitalista que permitiu uma nova correlação de forças a nível mundial e nacional imprimindo uma nova dinâmica às forças do capitalismo nacional aliado ao capitalismo internacional.

 

Enquanto se fala de crise e as soluções políticas do governo são mais do mesmo, a banca e os banqueiros continuam a acumular fortunas fabulosas (num balanço ainda incompleto os cinco maiores bancos acumularam até Setembro lucros no valor de 5 milhões por dia) ao mesmo tempo que se acentua o feito devastador das crises sistémicas do capitalismo, com o seu rasto de destruição, desemprego e pobreza como aquela que se vive actualmente no nosso país e no mundo

 

Depois do desaparecimento da URSS, o imperialismo tirou também partido da nova correlação de forças no plano internacional para lançar uma violentíssima ofensiva com várias expressões visando impor a sua hegemonia planetária.

 

Guerras e pilhagem, centenas de milhar de mortos e milhões de feridos, desalojados e refugiados – do Iraque, ao Líbano e aos Balcãs, do Afeganistão à Palestina – são o saldo da cruzada de guerra que ilustra a natureza predadora, agressiva e criminosa do imperialismo.

 

Crescimento da pobreza e da miséria a nível mundial, retrocesso civilizacional, maior injustiça na distribuição da riqueza.

 

Crescimento da corrupção e do favoritismo das classes dominantes

 

Ao contrário do pensamento dominante amplamente difundido, esta é a verdade.

 

Por isso os que rejubilam e comemoram a queda do muro de Berlim e a derrota da primeira tentativa de construção do socialismo há 92 anos, comemoram sobretudo o aumento da exploração.

 

Fazem-no com o apoio da comunicação social dominada e dominante em todo o mundo, com o sentido da procura da criminalização do ideal e dos Partidos comunistas, dos valores de solidariedade, igualdade e justiça que movem a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo    

 

Fazem-no para ocultar as suas responsabilidades sobre os enormes problemas do presente, a dimensão da actual crise, o rasto de destruição e morte que as guerras impõem aos povos.

 

Fazem-no com o objectivo de legitimar os objectivos de aprofundamento da sua ofensiva exploradora.

 

Contudo como disse Galileu Galilei “ ela ( a terra ),  move-se “  os povos lutam e põem a nu a incapacidade do capitalismo de resolver os grandes problemas da humanidade, demonstrando em simultâneo que os povos não se submetem  ao actual estado de coisas.

 

O Socialismo, cujas portas foram abertas pela grande Revolução Socialista de Outubro, marcando a época contemporânea da passagem do capitalismo para o socialismo, emerge assim, no início deste novo século, não só como uma inadiável exigência da actualidade e do futuro, como uma alternativa possível e necessária que mobiliza milhões de homens, mulheres e jovens em todo o mundo e continua a inspirar a intervenção do Partido Comunista Português, cujo aparecimento não é separável deste feito histórico da classe operária russa.

 

Formado a partir da realidade histórica, económica e social de Portugal e sobre o impulso da Revolução Socialista de Outubro, o PCP, cuja fundação data de 1921, é hoje – apesar das perseguições e crimes cometidos pelo fascismo e depois pelo papel dos detractores da história e fazedores de opinião - que já decretaram várias vezes a sua morte – um grande partido nacional que se afirma de luta de transformação  com o seu projecto insubstituível de democracia avançada e de socialismo para Portugal.

 

Este percurso não é separável do papel de Bento Gonçalves e de Álvaro Cunhal, (cujo nascimento há 96 anos comemoramos com orgulho) mas também dos seus companheiros (dos quais quero destacar entre muitos outros, Sérgio Vilarigues; José Vitoriano, Octávio Pato, Blanqui Teixeira já desaparecidos e Joaquim Gomes, filho da Marinha Grande e a sua companheira Maria da Piedade aqui presentes) e do grande colectivo partidário que em cada momento souberam e sabem responder à afronta do capital, às necessidade e aspirações da classe operária, dos trabalhadores e do povo português.

 

Assente na sua identidade de classe, nas suas características e objectivos programáticos, na sua ideologia – o Marxismo-Leninismo – no internacionalismo proletário, regras de funcionamento, independência financeira e estilo de trabalho colectivo, o PCP, bebendo na experiência histórica, nos erros e êxitos da construção do socialismo e na realidade económica e social nacional, afirma-se como um partido de proposta e portador de um projecto transformador – O Socialismo.

 

Sabemos que o projecto de transformação não se faz à velocidade do vento, que é um processo lento quanto lenta é a formação da consciência social e de classe e a sua transformação em consciência política, mas também sabemos que sem um partido mais forte e mais enraizado nos trabalhadores e no povo essa tarefa gigantesca de construção de um país justo e soberano será mais difícil.

    

O ano que agora está quase a findar, foi marcado por três batalhas eleitorais.

 

Num quadro de grande adversidade política e ideológica que exigiram do colectivo partidário e de muitos companheiros de luta um grande esforço e dedicação.

 

Um ciclo eleitoral, que apesar dos condicionamentos impostos por uma democracia burguesa que se refina na limitação do exercício das liberdades, que utiliza os poderosos meios de comunicação social de massas para condicionar a opinião dos eleitores e os meios do Estado, a CDU obteve um resultado globalmente positivo.

 

Três batalhas eleitorais em que a CDU cresceu e avançou no número de votos para o Parlamento Europeu e Assembleia da República. Aumentou um deputado para este órgão de soberania, obtendo entretanto um resultado insatisfatório para as autarquias.

 

Não subestimamos a importância das eleições, mas ao olhar e intervir nelas, não pudemos esquecer:

 

-         Que elas são uma expressão da luta de classes;

-          Que elas se realizam no quadro da democracia burguesa;

-          Que sendo importantes elas não são o alfa e ómega da nossa acção;

-         Que cada voto conquistado é mais força que se junta à força para impor um novo caminho para o nosso país, é mais força que se junta há força para prosseguirmos o nosso combate de sempre – romper com a actual situação e construir uma sociedade justa e solidária

 

Não menosprezamos as perdas de câmaras que tivemos nas eleições autárquicas, como foi o caso da Marinha Grande, ou a perda de um vereador no Bombarral, elas marcam e entristecem, mas não pudemos esquecer igualmente os ganhos e avanços que se registaram na região com o crescimento da massa eleitoral para a Assembleia da Republica e a maioria absoluta em Peniche, a eleição de novo para a AM de Óbidos e Porto Mós, nas autárquicas

 

As perdas verificadas nas eleições autárquicas não podem esconder a derrota da maioria absoluta do PS nas legislativas e não podem esconder que essa perda foi o resultado da intensa e imensa luta em que os trabalhadores foram o motor durante 4 anos e meio e em que o nosso partido desempenhou um destacado e insubstituível papel de consciencialização e organização das massas.

 

Não podem esconder o papel central do PCP, na denuncia dos efeitos devastadores da política de direita do PS e na apresentação de propostas e soluções para o país e para os problemas dos trabalhadores e de outras camadas sociais, que, ainda que escondidas e até deturpadas pela comunicação social, constituem linhas de força para o combate político imediato, demonstrando que nós somos os verdadeiros portadores da ruptura e da mudança.

 

O Partido, foi e é a força aglutinadora das forças anti monopolistas e nuclear no processo de construção da ruptura e mudança.

 

Por isso o XVII e XVIII Congresso colocaram como questão central, o reforço orgânico do Partido e da sua influência social, política e eleitoral de massas.

  

A campanha «Avante por um PCP mais forte» decidida pelo XVIII Congresso constitui para todo o colectivo partidário uma tarefa fundamental e prioritária, a par da iniciativa, da acção política e da luta de massas.

 

Reforçar o Partido nas empresas e locais de trabalho, nas freguesias e localidades, recrutar novos camaradas, criar organizações de base, reforçar o estilo de trabalho colectivo e elevar a luta de massas constituem tarefas imediatas que não são separáveis, antes integram o trabalho e caminho de construção de uma pátria livre e soberana, onde os trabalhadores e o povo decidam do seu destino – o Socialismo e o Comunismo

     

Sem perder de vista esse objectivo estratégico, a intensificação da luta de massas pela ruptura com a política de direita no nosso país e a mudança para uma vida melhor, abrindo caminho para a Democracia Avançada que propomos ao povo português constituem no tempo presente objectivos imediatos pelos quais se batem os comunistas portugueses.

 

Ao trabalharmos afincadamente para o reforço orgânico e da influência social, política e eleitoral do partido da classe operária e de todos os trabalhadores, alargando a nossa acção e intervenção junto de outras camadas sociais anti monopolistas atingidas pela política de direita, construindo com eles a unidade necessária e fundamental em torno de objectivos concretos, aumentando a nossa intervenção junto do movimento associativo e reforçando o movimento sindical de classe a CGTP.IN.

Ao darmos mais força a este trabalho de reforço do Partido e à militância estamos a honrar os que deram a vida pelo projecto mais generoso que a humanidade conheceu, estamos a honrar a Revolução Socialista de Outubro, estamos honrar o nosso compromisso histórico com o povo português

 

Viva a Revolução Socialista de Outubro

 

Viva O Partido Comunista Português

           

Dias Coelho, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP

Marinha Grande, 14 de Novembro de 2009

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